quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Momento Leitura


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro pra ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma.
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Belo texto de Fernando Pessoa... Sem necessidade de comentários adicionais!!

Bar doce lar - J.R. Moehringer


Semana passada terminei de ler um dos melhores livros que tive a oportunidade de conhecer. O nome da obra é Bar Doce Lar - As memórias de um menino adotado pelo bar da esquina - do jornalista norte-americano J.R. Moehringer. O livro narra de forma incrível a atrapalhada vida juvenil do escritor, suas desilusões, seus momentos de bebedeira, o ingresso em uma das mais renomadas universidades do país entre outros temas irresistíveis. Pra quem achou estranho o nome do livro aí vai uma breve explicação: J.R cresceu sem a presença de um pai, e encontrou, no Bar em que seu tio trabalhava, o ambiente perfeito para encontrar um modelo de homem que ele achava necessário seguir para se tornar um individuo de respeito. O livro é bom do começo ao fim. Você vai se comover com a história da mãe de J.R., uma mulher que mesmo sem grandes possibilidades financeiras e arrasada pela perda do marido, nunca deixou de se esforçar para dar uma vida digna ao seu filho. Por se passar em um ambiente tão descontraído (um bar) pitadas de bom humor não poderiam faltar. Quem lê o livro muitas vezes flagra-se rindo sozinho das histórias de Tio Charlie, Quissidane, Joey D e os demais falastrões que compõe o Bar do Dickens (que depois chamou-se Publicans). O livro ainda retrata de forma breve, porém, com uma pitada de tristeza, a morte de alguns amigos queridos de J.R, vítimas do atendado às Torres Gemêas. Cada uma das 429 páginas são merecedoras de sua leitura. O livro é da Editora Nova Fronteira e custa em média 44 reais, vale a pena conferir!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

City High - City High


Pra quem curte Black Music aí vai uma dica ótima para curtir até não aguentar mais: City High!
O trio é composto por dois excelentes cantores (Ryan Toby e Robby Pardlo) e pela bela Claudette Ortiz, que antes de entrar para o grupo fez back vocals para artistas de peso, como Will Smith e Boyz II Men.
Infelizmente o grupo fez apenas um trabalho junto, o álbum "City High", lançado no ano de 2001, que fez um sucesso bastante considerável na terra do tio Sam, mas que não chegou com o mesmo efeito aqui no país. Mesmo assim, vale a pena conferir. A qualidade vocal destes três é incrível. A qualidade da música não deixa nada a desejar também. Ao todo são 14 canções e eu, particularmente, destaco as dançantes "Caramel", "You don´t know Me" e "15 will get you 20", além das lindas baladas "Song for You", "So many things" e "City High Anthem".
Pra quem curte comprar CD, "Boa sorte", pois será muito difícil encontrá-lo em lojas (eu só fui encontrar em "brexós musicas"), mas quem curte e sabe baixar músicas pela internet, a dificuldade será muito menor.
Coloquei aqui o clip da música Caramel, para que você possa ter uma "palinha" deste grupo, que é ótimo!!


domingo, 14 de outubro de 2007

Momento Leitura



Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

Esse é um belo poema de Fernado Pessoa que retrata com naturalidade a questão do livre arbítrio, onde cada pessoa decide traçar o caminho de acordo com o seu ponto de vista. Muito bacana. Quem tiver interesse em ler mais poemas deste autor entre no site:

http://www.aindamelhor.com

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Quem tem medo?

Sou um medroso, confesso. Apesar da pouca idade, posso dizer que já senti medo suficiente por uma vida inteira. Já tive medo do escuro, medo do bicho papão, do mestre dos magos, medo da prova surpresa de matemática que vira e mexe a professora passava. Ainda tenho medo. Mas conforme vou crescendo meus sentimentos em relação ao medo foram se transformando, ganhando uma forma muitas vezes perigosa e destruidora, outras vezes confortante e conciliadora. Assim como na canção de Lenine, posso dizer que ultimamente tenho tido "Medo de gente, de solidão, medo da vida e medo de morrer..." Mas o principal medo que tenho é o do fracasso.
Vivo sendo constantemente atormentado pelo medo (ou receio) de não conseguir me tornar alguma coisa relevante nesta minha passagem pela terra. Tenho medo de fracassar como filho, como irmão. Medo de fracassar como namorado, noivo ou marido. Tenho medo de não corresponder as expectativas de todos aqueles que um dia olharam pra mim e disseram "Este garoto tem potencial!" O medo freia muitas ações que eu gostaria de tomar. O medo me faz covarde, omisso e falso.
Muitas vezes fico sonhando acordado, tentando inventar maneiras de acabar com tanto medo. Olho pra dentro de mim e digo: "- Eu sei que sou capaz. Eu sei que vou conseguir!" Mas muitas vezes eu me deixo levar pela tristeza e pela convicção de que o medo é maior do que eu mesmo. Triste, mas verdadeiro.
O que fazer para mudar isso? Essa pergunta ainda procura por resposta. Mas apesar de ter medo e muitas vezes ter sido vencido por ele, eu não desisto da luta. Sou persistente e sei que ainda serei digno do mais alto prêmio de "Homem Corajoso". E para alcançar este objetivo tentarei não ter medo do erro, pois sei que ele é apenas um dos muitos degras que eu terei pela frente!!

Fique com o clipe da música "Medo" e pare pra pensar quantas oportunidades e sonhos já deixamos de lado por causa deste sentimento...

sábado, 6 de outubro de 2007

Os meninos da rua paulo - Ferenc Molnár


Será que um livro escrito há mais de cem anos pode retratar a realidade dos dias atuais? Se você ler o "Meninos da rua Paulo" vai dizer que sim. Uma história muito bacana sobre dois grupos de garotos que travam uma verdadeira batalha por um pedaço de terreno. Um livro que consegue divertir, fazer pensar e se emocionar, além de trazer uma sensação nostálgica ao leitor. A história se passa na cidade hungara de Budaspeste. Boka é o comandante de um grupo de garotos entre 13 e 14 anos de idade. Após as aulas todo esse "exército" se reunia no forte localizado na rua Paulo, para jogar uma partida de um esporte parecido com o tênis e para bolar planos de batalha para eventuais "guerras". Mal sabiam os meninos que sua paz estava ameaçada por um grupo garotos maiores, liderados pelo temível Chico Áts. Durante uma emocionante narração, Molnár descreve cada cena como se realmente tivesse feito parte do grupo da rua Paulo. Cada detalhe, cada aventura é contada com uma vivacidade incrível, que "engessa" o leitor, não permitindo que pare de ler enquanto não souber o que vai acontecer. Os dois grupos começam a montar seus planos e táticas, mas o que ninguém poderia imaginar é que o grande herói da guerra seria o mais jovem e destemido guerreiro Nemecsek, que mesmo adoentado luta para devolver a paz aos garotos da rua paulo. A história é boa do começo ao fim. Vale a pena e o melhor, qualquer um pode ler, desde de uma pequena criança até um adulto que já nem lembra o que é ser jovem. Vale a pena conferir!!

Momento leitura.

Pelo sonho é que vamos,

comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.

Mais um belo poema de Sebastião da Gama. na verdade, ele dispensa comentários. Mas, quando leio um texto bem trabalhado como esse fico pensando: "O que falta para colocar as palavras em ação?" O que falta para sermos grandes sonhadores e, principalmente, grandes realizadores. Nos dias atuais somos reles "fazedores", "cumpridores de tarefas". Não temos tempo para pensar, para melhorar nossas atitudes. Tempo para descansar? Tá de brincadeira né? Com tanta concorrência, com tanta gente atrás de emprego, descansar pra que?
As pessoas não percebem, mas estão, há cada novo dia, perdendo mais e mais sua identidade e até mesmo sua vontade de viver. Quando eu ando na rua, gosto de observar a expressão de cada ser humano que passa por mim. No começo eu ficava meio triste mas depois fui -infelizmente- me acostumando com a idéia de que existe muitos mortos andando entre nós. Pessoas que já enterraram seus sonhos, que já decretaram sua morte psíquica.
O que fazer para mudar? Eu sinceramente não sei. Gostaria de ter o poder maravilhoso de fazer todos os demais seres perceberem da importância da vida. Da simplicidade que ela exige. O dinheiro e o poder podem trazer diversas coisas positivas ao homem, mas a felicidade verdadeira não está a venda e se algum dia alguém resolver comercializá-la será mais barata do que qualquer quantia que o homem pode imaginar.
O preço da felicidade verdadeira está inserido em cada um de nós. Basta apenas olharmos para dentro de nosso próprio ser. O maior desafio do homem neste novo século não é a busca por outros meios de conseguir energia ou em como fazer
para "brecar" o buraco na camada de ozônio. O maior desafio é, sem dúvida, a busca pela própria identidade. Quando cada um souber o que é necessário para ser feliz, entender que é preciso dar sem querer nada em troca, perdoar o irmão e amar até mesmo o inimigo, o mundo será mais feliz e os outros desafios serão "fichinhas" para os habitantes desta terra. Pense nisso.