quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Porta Giratória de Mario Quintana


..."A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta sabe que é louco... Porque a poesia é uma loucura lúcida".
Esse é só um pequeno trecho, uma breve amostra do talento de Mario Quintana... O homem que conseguia descrever um mundo em apenas duas linhas.
Quando eu tinha meus 15 anos de idade achava todo e qualquer livro e autor brasileiro um saco! Não via nada de brilhante nas histórias de José de Alencar, ou qualquer beleza nas complexidades de Fernando Pessoa. Mario Quintana então, nem se fale. Não suportava suas "esquisitices literárias".. Hoje, após alguns livros lidos e relidos compreendo que o meu desgosto para com a literatura brasileira era pura ignorância da minha parte. A verdade é que eu lia sem entender, virava às páginas e a cara para toda a riqueza descrita em versos, crônicas ou que viesse à calhar. Mas nunca é tarde para aprender! Certa vez dei uma olhadela em um poema de Quintana que me chamou a atenção, o título era "A fórmula mágica" e começava mais ou menos assim: "Sei que, com esta, muita gente vai me julgar de burro, mas sou um burro sincero"... Achei comovente e pensei comigo mesmo: "Como um autor tão renomado pode ser tão humilde a ponto dele próprio reconhecer sua ignorância perante um assunto ou qualquer outro tema?".
"Tive" que terminar de ler o texto e após aquela leitura me tornei um grande fã de Quintana, porém sem ter sequer um único livro de sua autoria em minha singela biblioteca.
Foi então que encontrei o livro "Porta Giratória", uma coletânea de crônicas do autor, lançada originalmente em 1988. Um livro incompleto, perante o enorme talento do autor, porém um grande começo para quem ainda não teve o prazer de ler os textos dele.
Enocntrei neste livro o texto já citado: "A fórmula Mágica" além de muitos outros textos e poemas interessantes... Para quem gosta de aprender continuamente sobre a nossa língua, quem tem dentro de si o anseio de adquirir mais e mais cultura saudável, os textos de Mario Quintana realmente são uma obra-prima! Vale a pena de verdade e o preço de suas obras não são tão caras como se pode imaginar. "Porta Giratória", por exemplo, é facilmente encontrado em livrarias por 26 reais. Outra alternativa é emprestar os livros do autor em bibliotecas públicas. Mario Quintana é figurinha certa em qualquer lugar!! Vá atrás dos livros e saboreie a experiência essa cultural!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Momento Leitura.

O Momento leitura deixa um pouco de lado os poemas para dar lugar às crônicas de alguns autores famosos. O primeiro texto é de autoria de um dos meus cronistas prediletos: Mário Prata. O texto, entitulado "Coentro" mostra de forma bem clara a habilidade que o autor possui para fazer "piadas" com palavras simples e pensamentos brilhantes. Confira:


Coentro

Por Mário Prata

Você já percebeu que existem umas palavras que parecem siglas de alguma repartição pública ou autarquia? Exemplo? COENTRO! Tenho a impressão que você só vai conseguir o protocolo definitivo daquele documento depois de passar pelo COENTRO.
Outra palavra é ACEPIPE. Me parece algum órgão ligado à arquitetura. Sem a aprovação do ACEPIPE não podemos dar o habite-se. Passe primeiro no ACEPIPE que tudo vai ficar mais fácil no COENTRO.
Deve ser lá no DETRAN que fica o CLOACA. O CLOACA é o departamento responsável pela colocação de novas placas. Pelo menos foi o que me informaram. Quer uma placa bonitinha, com as suas iniciais? Deixa comigo que eu tenho um cara lá dentro do CLOACA.
Agora, se o seu processo não estiver andando lá no jurídico, você vai ter que conhecer alguém do ABAJUR. Fale com o criado-mudo no ABAJUR que ele quebra o seu galho.
E FUSÍVEL, o que parece? Algum órgão ligado à Marinha, aos portos. Não, meu amigo, sem a autorização do FUSÍVEL não dá para liberar a carga.
Mas há departamento que agiliza tudo. Para isso você precisa passar no VESPA. É o órgão mais moderno e ágil que eu conheço. Se não conseguir resolver o problema com o VESPA, desista, meu chapa.
O lugar aonde você só vai em última instância é o ECLODIR. Lá ficam os advogados, os homens do direito. Não tente subornar ninguém no ECLODIR, pois pode ser fatal.
E se tem um lugar onde nada funciona é o CAOS. Para evitar o CAOS, passe antes pelo COENTRO e pelo ABAJUR. Facilita muito.
E ai de quem precise de algum papel lá no JILÓ.
Mas para tudo no Brasil tem um jeitinho. Basta você conhecer alguém do PODER. Com o carimbo do PODER você vai longe.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A volta do todo poderoso.

"Here we go again"... Olá nobre leitores, ainda em um ritmo lento e desordenado o blog vai sendo atualizado. A dica cultural da semana (ou talvez do mês!) é um filme muito bacana entitulado "A volta do Todo Poderoso". Pode um filme ser, ao mesmo tempo engraçado, culturalmente rico e possuir uma pitada de mensagem positiva? Este filme provou que sim.
"A volta do todo Poderoso" conta a história de Evan (Steve Carell), um âncora do jornal da TV, recém eleito pelo Congresso como deputado. Evan deixa a cidade de Buffalo para trás para se estabelecer com sua mulher, Joan, e seus três filhos, no subúrbio de Huntsville, na Virginia, onde iniciarão um novo capítulo de suas vidas numa casa enorme localizada entre as antigas colinas do norte daquele estado. Quando se prepara para seu primeiro dia de trabalho como deputado de Nova York, Evan pede que Deus o ajude a "mudar o mundo". Mal sabe ele que o Homem lá em cima já tem grandes planos para o novo parlamentar. Evan está emocionado com a nova oportunidade, mesmo sabendo que terá de se afastar ainda mais de sua família. O poder é muito importante para ele, e por isso aceitou a oferta de defender um projeto ambicioso de um deputado famoso e vigarista. Quase que imediatamente, coisas estranhas começam a acontecer, como entregas misteriosas de ferramentas antigas e grandes pacotes de madeira, além de perseguições curiosas de aves de vários tipos. Evan está certo de que está sofrendo uma crise de estresse. O caos total se instala após a visita de um estranho que diz ser Deus (Morgan Freeman), e que veio para lhe dar uma ordem simples: Evan tem que construir uma arca para salvar seus amigos e sua família de uma inundação iminente. Com a ajuda de seus três filhos, Evan começa a montar sua embarcação sem imaginar o que está por vir. Para sua surpresa, animais de todos os tipos e tamanhos começam a aparecer aos pares para habitar a floresta de madeira que passou a cercar sua casa. Como se não bastasse, o "narcisista" Evan se transforma aos olhos de sua mulher numa espécie de "maluco-beleza", com barba e cabelos longos que combinam com sua nova manta comprida e larga. Apesar de estar prestes a perder tudo o que considera precioso, Evan continua a construir aquilo que servirá para salvá-lo da inundação que destruirá a Terra — ou para provar de vez sua insanidade. Dê uma olhada no trailer para ter uma idéia da "confusão divina" que acontece no filme...

domingo, 17 de agosto de 2008

Para descontrair.

Com uma dose bem grande de irregularidade o blog vai sendo atualizado "daquele jeito" (quando dá na teia ou quando "sobra tempo)... Mas enfim, vamos ao que realmente interessa: Estava eu "fuçando" os inúmeros vídeos propagandísticos (esta palavra existe mesmo?) do youtube quando me deparei com um talentoso trabalho publicitário do carro "Clio" da Renault. Achei tao legal que resolvi postá-lo aqui, vejam o vídeo, e vejam se não estou certol!!!


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Atuando com a imaginação.

Sou uma espécie de ator imaginário. Digo isso porque para ler um livro "de cabo-a-rabo" tenho que me sentir como um integrante da história... Preciso visualizar o contexto de uma forma cinematográfica ou teatral. E quer saber? Acho que não existe nenhum ator de Hollywood tão versátil quanto a mim. Certa vez interpretei um garoto criado por homens que vivem dentro de bares ("Bar doce Lar" de J.R. Moeringher), em outra oportunidade estive na pele de um médico ousado que enfrentou todo o tipo de preconceito para salvar a vida de uma jovem mulher ("Erro de Julgamento" de Henry Denker). Recentemente me identifiquei com a história de um certo bêbado que conheceu de forma inusitada um vendedor de sonhos e começou a seguir os passos deste misterioso mestre que tinha como objetivo de vida mudar a forma como as pessoas encaravam a vida ("O vendedor de Sonhos" de Augusto Cury). Este último "roteiro", aliás, mexeu comigo. O enredo é pra lá de emocionante e revolucionário, as personagens existentes na trama são ao mesmo tempo miseráveis (em relação ao poder capital do mundo) e amplamente ricas (em sabedoria e compaixão pelo próximo)... Esta obra me encantou de tal maneira que mesmo depois de ler outros livros ainda lembro trechos marcantes dela... Existe uma parábola que gostaria, inclusive, de compartilhar com você, nobre leitor! Espero que depois desta leitura você se sinta instigado a fazer parte desta e de muitas outras histórias: (o título ficou por minha conta mesmo)

A Parábola da Andorinha

Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta. O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou a morte. Os grandes animais bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até filhos para trás. Devastavam tudo o que estava à frente. Os animais menores seguiam seus rastros. De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.
As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram "Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?". Os abutres bradaram: "Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!" Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar. Suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se entregando. Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote no bico.

Ao retornar, encontrou outras hienas, que não tardaram a declarar: "Maluca! Está querendo ser heroína!". Mas não parou; muito fatigada, só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro. Horas depois, encontrou as hienas embaixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta: "Só me sinto digna das minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem".
Augusto Cury