segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Momento Leitura.

Quem acompanha o blog desde o início já deve ter notado que sou um grande fã dos poemas de Mário Quintana. Seus versos são simples e ao mesmo tempo complexos demais e isso é o que me chama atenção no autor. Escolhi um de meus poemas prediletos para compartilhar com você agora. O título é Ah! Os relógios. Leia:

Ah! Os relógios

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida a verdadeira
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém ao voltar a si da vida
acaso lhes indagam que horas são...

Do livro: A cor do invisível.

4 comentários:

Anônimo disse...

Se eu pudesse mandava acabar com todos os relógios do mundo... O tempo nos mata!!

Anônimo disse...

Muito bonito este poema e muito legal o seu blog.Ru

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

O que é o tempo?!?!Uma invenção do homem!Um paradigma a ser quebrado, como tantos outros cravados em nós durante anos pela lógica cartesiana!!!Sofremos intervenções do famoso efeito borboleta a todo momento...Como passar pela vida sem se perder no largo????Me vem uma frase na cabeça que não sei de quem é: “O tempo é como o diabo sentado entre o saco das moedas da vida e o saco das moedas da morte.
A cada tic-tac do relógio, ele toma uma moeda do saco da vida e joga no saco da morte e diz: Mais uma pra morte”...