Quem acompanha o blog desde o início já deve ter notado que sou um grande fã dos poemas de Mário Quintana. Seus versos são simples e ao mesmo tempo complexos demais e isso é o que me chama atenção no autor. Escolhi um de meus poemas prediletos para compartilhar com você agora. O título é Ah! Os relógios. Leia:Ah! Os relógios
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida a verdadeira
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém ao voltar a si da vida
acaso lhes indagam que horas são...
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida a verdadeira
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém ao voltar a si da vida
acaso lhes indagam que horas são...
Do livro: A cor do invisível.
4 comentários:
Se eu pudesse mandava acabar com todos os relógios do mundo... O tempo nos mata!!
Muito bonito este poema e muito legal o seu blog.Ru
O que é o tempo?!?!Uma invenção do homem!Um paradigma a ser quebrado, como tantos outros cravados em nós durante anos pela lógica cartesiana!!!Sofremos intervenções do famoso efeito borboleta a todo momento...Como passar pela vida sem se perder no largo????Me vem uma frase na cabeça que não sei de quem é: “O tempo é como o diabo sentado entre o saco das moedas da vida e o saco das moedas da morte.
A cada tic-tac do relógio, ele toma uma moeda do saco da vida e joga no saco da morte e diz: Mais uma pra morte”...
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